Para uma transportadora, saber como calcular o frete é uma das tarefas mais importantes. Diferente do piso mínimo, o objetivo de uma tabela de frete é fazer uma negociação justa e a partir de um parâmetro bem estabelecido. Assim, é possível fazer um cálculo mais confiável e rápido para os valores cobrados.
Por sua vez, o piso mínimo de frete determina os menores valores para cargas lotação, de acordo com as determinações da Agência Nacional de Transporte de Terrestres (ANTT). Assim, a tabela de frete é mais completa e permite realizar configurações diferentes, que trazem resultados mais acertados.
Foi pensando nisso que montamos este conteúdo, completo de dicas para que você possa montar uma tabela de frete sabendo tudo que deve ser levado em consideração. Por fim, apresentamos 3 passos básicos para montar a tabela e soluções que podem ser utilizadas para facilitar o trabalho.
Por definição, valor do frete é o preço a ser pago por um serviço de transporte de algum tipo de carga, independentemente do modal (transporte rodoviário, ferroviário, aeroviário etc.).
Por se tratar de um custo considerável para empresas logísticas, saber como calculá-lo corretamente é a chave para controlar gastos e, essencialmente, garantir que a operação seja lucrativa.
Além do cálculo, conhecer as diferentes modalidades de frete é importante para tomar a decisão certa sobre o modelo que mais se ajusta a seu negócio. Os principais métodos de entrega e movimentação de carga são:
Como vimos, o termo frete é designado para identificar o preço praticado para os serviços de transporte de cargas rodoviário. O seu cálculo depende de fatores como:
Além disso, existem casos em que é necessário contratar escolta para acompanhar a carga ou solicitar autorização para a circulação de mercadorias de grande volume. Essas taxas também devem ser repassadas para o embarcador com o intuito de ressarcir a transportadora contratada.
A sua importância reside no fato de que o frete representa a fonte de receitas da empresa de transportes. Ou seja, quanto mais preciso o seu cálculo, melhor será a lucratividade obtida.
A tabela de frete está presente no contrato apontando quais valores serão cobrados pelos serviços que você oferece. Os preços variam de acordo com as tarifas da transportadora e, especialmente, se ela lida com carga lotação ou fracionada.
É possível cobrar o cliente conforme a quilometragem, o peso da carga ou outras especificidades.
Ter uma ferramenta dessa, pronta e bem embasada, favorece o fluxo operacional da empresa, pois ela apresenta vantagens como:
A tabela de fretes determina os preços mínimos para as cargas lotação, que são aquelas que ocupam a totalidade do veículo. Os valores foram fixados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e são uma recomendação para a negociação das operações de movimentação de mercadorias.
Porém, as transportadoras podem usar esse instrumento para aumentar sua competitividade e a produtividade, assim como oferecer preços mais justos.
O cálculo do preço mínimo foi feito a partir de diferentes variáveis, inclusive dos custos fixos de caminhoneiros e transportadoras. Após essa definição, a tabela foi promulgada pela Resolução 5.820/2018, que explica exatamente como a contabilização foi realizada.
Em seguida, a tabela foi sancionada pela Lei 13.703/2018, que institui a chamada Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. Pela lei, ficou determinado que os valores vigentes são válidos por seis meses e são modificados sempre nos dias 20 de janeiro e 20 de julho.
Apesar disso, existem exceções em que o piso mínimo é reajustado. A legislação indica que, sempre que o preço do óleo diesel sofra oscilação de 10% ou mais para baixo ou para cima, o valor do frete precisa ser adaptado ao novo cenário.
Tenha em mente também que alguns valores — como substituição tributária, pedágios, imposto de renda, despesas com seguro e outros — precisam ser analisados individualmente, já que existem especificações do perfil de transportador e operação realizada.
Esse é um dos motivos que justificam a delimitação de frete mínimo, não máximo.
O propósito da tabela de fretes é repassar aos clientes os custos de forma bastante transparente. O preço mínimo indicado pelo governo é calculado conforme estabelecido na legislação. Porém, sua transportadora pode oferecer valores diferenciados, a partir de mais variáveis.
Para ajudar você a entender o que considerar na hora de elaborar a sua tabela, listamos as dez principais variáveis que são passíveis de análise. Confira!
As cargas podem contar com o mesmo tipo de veículo, mas existem aquelas que requerem um tratamento diferenciado. Esse é o caso dos produtos refrigerados, por exemplo.
Portanto, considerar o investimento realizado para a movimentação da carga é uma opção válida. Nesse caso, a cobrança de valores mais elevados que o frete mínimo é justificada.
Considere, por exemplo, que mercadorias geladas e leves exigem um caminhão de pequeno porte, mas com baú refrigerado. Já os trajetos que contam com vias irregulares requerem um veículo resistente, com amortecedores rígidos e pneus maiores.
Essa variável evita a generalização da tabela de frete mínimo. Afinal, é impossível comparar a entrega de soja com a de remédios, certo? Por isso, o ideal é que você tenha diferentes valores conforme o produto a ser movimentado.
Lembre-se de que mercadorias frágeis precisam de embalagens mais resistentes e especiais. Já as que são muito pesadas tendem a gastar mais combustível no transporte, além de agilizar o desgaste de pneus e peças do caminhão.
As cargas perigosas ainda oferecem restrições. E por aí vai. Por isso, vale a pena fazer uma negociação diferente para cada caso.
A transportadora tem um período de entrega predefinido. Quando o consumidor paga para receber mais rapidamente, o valor precisa ser diferenciado, porque os custos são maiores.
Em alguns casos, é preciso contar com mais de um motorista para a operação, fazer o pagamento de horas extras, gastar mais combustível etc. Por isso, é uma variável que deve ser analisada.
Alguns destinos exigem passar por estradas em péssimas condições, que colaboram para o desgaste precoce de pneus, aumento de manutenções e tempo maior de viagem. Ao mesmo tempo, outras regiões são notoriamente mais perigosas, com altos índices de assaltos.
Simultaneamente, em cargas completas, um caminhão geralmente cobre uma rota única e direta até seu destino final.
Por outro lado, cargas fracionadas pressupõem que um mesmo veículo carrega mercadorias para diferentes clientes e endereços e, portanto, precisa cobrir um trajeto com várias paradas, o que eleva o tempo e indica, talvez, a necessidade de mais colaboradores para realizar a carga, descarga e manuseio.
A unidade (cubagem) da carga interfere no preço mínimo do frete, porque quanto maior, mais elevados serão os preços da operação.
Assim, o deslocamento de uma carga de cinco toneladas para determinada cidade é menor que o preço cobrado para uma de 10 toneladas para o mesmo trajeto. A justificativa é o tempo de viagem e de carregamento e a necessidade de manutenção derivada do peso da mercadoria.
No frete, há a incidência de alguns encargos. Os principais são:
Esses três tributos são fixos. No cálculo, considere também as taxas municipais e estaduais que, por ventura, incidam devido ao trajeto realizado. Contabilize, ainda, as tarifas e os pedágios.
O transporte rodoviário é perigoso, seja por conta dos assaltos que ocorrem nas estradas, seja devido ao próprio ato de dirigir. Isso significa que o motorista está exposto a acidentes, perda de objetos e até situações mais graves.
Para evitar esses inconvenientes, é indicado que a transportadora tome alguns cuidados. Entre eles, estão duas taxas que precisam estar no cálculo da tabela dos fretes:
A tabela também precisa considerar o preço do combustível. Isso tem tudo a ver com o trajeto e a distância percorrida, já que, quanto maior a quilometragem, mais elevados são os gastos com esse tópico.
É interessante verificar o valor médio cobrado em cada região, para ter uma ideia de quanto terá que pagar para encher o tanque do caminhão.
A quilometragem percorrida é essencial, mas você também deve considerar as características de cada região, porque mais custos podem incidir.
É o caso de ir para uma cidade em que precisa passar por estradas em péssimas condições, que aumentam o risco de manutenções e o tempo da viagem. Isso também vale para os pedágios.
Da mesma forma, analise se a carga será lotação ou fracionada. No segundo caso, é possível haver várias paradas durante o trajeto, o que aumenta o tempo da entrega e, em algumas situações, exige até mais colaboradores para fazer o manuseio, a carga e a descarga.
Outras taxas podem ser incluídas no preço final de acordo com o critério das transportadoras. Confira alguns exemplos:
Ao considerar essas variáveis, você já está pronto para elaborar a sua tabela de fretes. No entanto, ainda precisa considerar as diretrizes da ANTT nesse processo. Então, que tal conhecê-las?
Considerando as regras da ANTT, que incluem diferentes itens, até mesmo o custo variável do frete, chega o momento de aprender a montar a sua tabela na prática. Primeiro, você deve compreender que essa ferramenta serve para designar o valor dos serviços prestados.
Por isso, você pode fazer o cálculo com base na quilometragem, no tipo de veículo utilizado, na carga movimentada ou até mesmo em mais de uma variável.
Quanto mais definida a tabela estiver, melhor será sua contribuição para o fluxo operacional da empresa. Isso porque ela permite entregar cotações mais rápidas, aumentar o total de solicitações feitas, verificar a média do mercado, analisar os resultados e oferecer menos burocracia para os trabalhos.
A partir disso, as etapas para a montagem da tabela são as que apresentamos abaixo.
É definido pela relação entre o peso bruto e cubado da carga. A cobrança é feita pelo maior resultado, isto é, se a mercadoria ocupar mais espaço que peso, o volume é a variável considerada no cálculo.
A fórmula do frete peso é: peso cubado em kg = comprimento x largura x altura em m³ x 300 em kg/m³ (fator de cubagem que costuma ser adotado e representa 1 m³).
Essa fórmula deve ser calculada a partir do preço do transporte da carga em comparação com a distância do trajeto.
É calculado de acordo com o preço da carga na nota fiscal. É particularmente importante para mercadorias de preço muito elevado. A fórmula é a seguinte: frete valor = valor da carga x percentual do frete valor conforme a distância.
Por fim, a transportadora pode adicionar taxas especiais comumente praticadas, por exemplo:
Além disso, devem-se acrescentar os impostos e pedágios. O somatório de todos esses valores e percentuais configura o preço final que será cobrado do cliente e as variáveis que formam a tabela de frete.
A tabela de frete facilita muito a rotina de um negócio, pois ela serve como referência sobre os fatores e preços cabíveis para fazer cotações acertadas, e até mesmo para simular frete. Com ela, a transportadora dificilmente sofre prejuízos, pois sabe com precisão o valor de seu serviço.
Você pode usar alguns modelos já apresentados na internet. Porém, é importante fazer uma que esteja condizente com a sua realidade. Para ver como ficaria o resultado, veja um exemplo a seguir:
A cada faixa de 5kg, é acrescentado R$ 5 a cada região/estado. Além dessas questões, você deve considerar que existem diferenças entre a tabela para a transportadora e para o autônomo. O segundo tem menos custos indiretos, como aluguel, energia elétrica, água, telefone fixo, colaboradores etc.
Além disso, é possível fazer reajustes para o controle de frete. Os principais são:
Um sistema de gestão específico para transportadoras é a dica final para estruturar e viabilizar o uso da sua tabela de fretes.
Por meio dessa solução, você substitui o papel e as planilhas eletrônicas e automatiza todos os processos. A consequência é menor possibilidade de erros e perdas de informações. Do mesmo modo, há redução de custos com papel e tinta, além de agilidade no atendimento às demandas.
O indicado é escolher um sistema que contenha um módulo de Sistema de Gerenciamento de Transporte (TMS), com a tabela de frete. Assim, é feito o cálculo automático do valor com base nos dados fornecidos. A parametrização considera: peso, volume, cubagem, quilômetros ou horas necessárias para cada serviço.
Outra possibilidade é fazer a contabilização com base no valor da nota fiscal ou do Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e) anterior. Essa opção está disponível para casos de redespacho ou subcontratação.
Por fim, as taxas podem ser previamente definidas. Entre elas estão: ad valorem, ademe, despacho, GRIS etc. Desse modo, os riscos de fazer um cálculo errado são reduzidos.
Porém, o software de gestão ainda vai além. Mais que o controle de frete, esse sistema monitora toda a frota e garante a administração dos principais aspectos da sua empresa, como manutenções, pneus, notas e mais.
Assim, você consegue analisar o custo e o lucro exato de cada viagem, os adiantamentos e as despesas, o acerto com motoristas, as contas a pagar e a receber, etc.
Outra vantagem é a possibilidade de acessar o sistema pelo smartphone. Basta ter o aplicativo adequado e visualizar as informações de que precisa rapidamente. Depois disso, é só fornecer os dados e tomar decisões acertadas.
Em suma, a tabela de fretes é uma recomendação para qualquer transportadora, porque traz eficiência e padronização nos valores cobrados pelos serviços.